TOC - Transtorno Obsessivo-Compulsivo

Para algumas pessoas certas “manias” podem ser engraçadas. Mas para quem sofre de TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo, isso não tem nada de engraçado. É uma experiência sofrida! Trata-se de uma patologia e deve ser vista e tratada como tal.

O TOC é uma doença relacionada com a ansiedade e caracterizada pela presença de obsessões e compulsões, segundo definição do DSM-V, Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

 

Os pensamentos obsessivos são vividos como intrusivos e inconvenientes relacionados com medos irracionais. Alguns exemplos desses pensamentos:

  • Medo de contaminação, medo de germes;

  • Medo de ter alguma doença grave;

  • Necessidade de limpeza, purificação excessivos;

  • Fantasias de agressividade em relação ao outro ou a si mesmo;

  • Necessidade de organização e simetria excessivos;

  • Medo de ter esquecido o fogão ligado, a porta destrancada, a janela aberta, etc;

  • Medo de objetos pontiagudos;

  • Medo de perder o controle de si mesmo;

  • Fantasias de morte de pessoas queridas, entre outros.

Esses medos irracionais levam a pessoa ter que cumprir algum tipo de ritual e só assim, a tragédia iminente é evitada. Isso tudo é um ciclo em que é repetido, repetido e repetido. É compulsivo porque não pode ser evitado, a pessoa não consegue não cumprir com o ritual.

A sensação de falta de controle de tais pensamentos e a necessidade de cumprir com o ritual são experiências de muita angústia e até mesmo, motivo de muita vergonha. As fantasias de morte de pessoas queridas despertam sentimento de culpa e vergonha muito intensos, a pessoa se sente um monstro e daí vem a necessidade de autopunição. E por serem medos irracionais e “rituais esquisitos” é comum as pessoas esconderem seus sintomas.

A compulsão dessa repetição pode ser tão acentuada, que além de todo sofrimento, a vida passa a ser disfuncional, sem contar o gasto de energia que todo esse ciclo envolve. O paciente de TOC fica brigando consigo mesmo o tempo todo, é exaustivo.

Obviamente, que nem toda mania é um caso grave de TOC! Muitos de nós tem manias e algumas até engraçadas ou esquisitas. Passa a ser uma doença quando ultrapassa certos limites, quando o sofrimento é muito intenso, quando a pessoa começa a se machucar com os rituais, quando a vida deixa de ser funcional.

O TOC pode ser tratado sem medicação? A psicoterapia pode "curar" esses sintomas?

Sim, é possível tratar o TOC sem o uso da medicação! Na minha experiência clínica - mais de 14 anos!, tive a felicidade e o privilégio de tratar de alguns pacientes - que agradeço pela confiança - com queixas dessa patologia, que com o processo de análise, os sintomas foram cedendo sendo possível gerenciar melhor a própria vida. 

No entanto, cada caso deve ser cuidadosamente avaliado pelo profissional, podendo haver situações em que o uso da medicação seja importante. Tudo isso é discutido com o próprio paciente, se ainda assim, não for da sua vontade, ele não será obrigado a aderir à terapia medicamentosa.

Como a Psicoterapia pode ajudar no tratamento do TOC?

Em primeiro lugar, procuro acolher a dor e o sofrimento decorrentes dessa patologia, dedicando uma escuta empática e isenta de qualquer tipo de julgamento para que a pessoa possa se sentir à vontade para falar sobre seus sintomas, os pensamentos obsessivos, os rituais, de como se sente, quais são os medos e preocupações. Vale lembrar que o paciente está assegurado pelo sigilo e ética profissional. 

 

Uma questão importante a ser trabalhada é o sentimento de culpa e vergonha, acompanhado da necessidade de autopunição. É aí, que entra a Psicoterapia, pois passamos a compreender que o TOC é uma doença séria e, por vezes, incapacitante e assim deve ser tratado e portanto, não é preciso se sentir culpado ou envergonhado. 

Ao longo desse processo, convido o paciente a formar uma parceria comigo e juntos, vamos entrando em contato com sua própria história, seu modo de lidar com as dificuldades, com as pessoas, a maneira que faz suas escolhas, que imagem tem de si mesmo e dos outros, que imagem acredita que os outros têm dele, enfim, o modo como tem vivido suas experiências. A partir desses questionamentos e reflexões a pessoa consegue compreender melhor seus próprios fantasmas ligados aos pensamentos obsessivos, a necessidade de punição, entre outras coisas. Ao trabalhar essas fantasias, os sintomas vão cedendo promovendo uma melhor qualidade de vida.